Elanor Lorie
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- Nome: Elanor Lorie
- Raça: Meia-Elfa
- Tipo da raça: Comum
- Classe: Ladina
- Reino Natal: Atlan (superfície)
- Residência Atual: Vectorius
- Divindade:
[editar] História
Elanor é a palavra élfica para "contentamento". Um belo nome para uma criança muito desejada, filha de pais que haviam já perdido as esperanças de terem um filho. Ceres, meio elfa prateada, e Jonas Laurie, humano, passaram os primeiros 5 anos de casamento tentando trazer ao mundo uma criança. Por fim, desistiram. Então, 10 anos depois, Elanor foi concebida e completou a felicidade do casal.
Elanor nasceu no reino das águas Atlan, nas cidades da superfície, seu pai, originário da região, percorreu o mundo e os mares e foi um grande aventureiro antes de se apaixonar por Ceres. Sua mãe não era da região, mas sempre quando Elanor perguntava a seu pai porque ela havia vindo para Atlan, ele respondia, "Minha filha, a água lava tudo..."
Não fosse pelas orelhas, ninguém diria que Elanor é filha de Ceres. Em nada ela se parece com a mãe. Puxou de Jonas os cabelos ruivos e os olhos de um verde desbotado. Também dele veio o olhar cético sobre o mundo, a descrença em forças ocultas e a paixão por livros. Jônas viajara o mundo inteiro. Elanor nunca saíra da cidade em que nasceu, mas viajava nos livros e nas histórias de seu pai. Jonas adorava contar histórias.
Ceres era o exato oposto. A mãe de Elanor vivia o presente. Nunca se voltava para o passado. Elanor não sabia nada sobre a vida de Ceres antes do casamento. Sequer conhecia seu nome de solteira. Sempre que perguntava, Ceres limitava-se a responder que seu nome era impronunciável na língua humana (Elanor nunca aprendeu élfico) e que o passado ficara para trás, e lá deveria ser deixado. Se Elanor insistia muito, Ceres ficava exasperada a ponto de gritar com a filha. Eram essas as únicas brigas que tinham.
Elanor só descobriu o quanto podia ser parecida com sua mãe após o incêndio.
Tinha acabado de fazer 14 anos. Acordou no meio da noite, nos braços de Jonas, sufocando com a fumaça. Desmaiou em seguida e só voltou a si no dia seguinte. Soube que o incêndio começara no quarto de seus pais e esta foi a única informação que teve. Além, é claro, do fato de que Jonas e Ceres estavam mortos, e a casa havia sido integralmente consumida pelo fogo.
Ficou na enfermaria até que seus ferimentos se curassem. Fisicamente, saiu-se bem. A única seqüela foi uma cicatriz comprida e fina no seu braço direito, começando pouco acima do cotovelo e terminando na altura do ombro, provavelmente conseqüência do momento em que seu pai a passou pela janela quebrada para salvar sua vida. Emocionalmente... bem, emocionalmente não eram poucas as seqüelas.
Elanor não viu os corpos. Soube que sua mãe morrera no local, sufocada. Seu pai morreu em decorrência dos ferimentos, tentando salvar a todos. Quando teve alta, os clérigos da cidade já tinham cuidado do enterro. Sua casa eram apenas escombros. Não havia nada para salvar dali, o que pudesse ter resistido ao fogo, foi pilhado enquanto estava no hospital.
Elanor ficara sozinha no mundo. A partir daquele dia, seu nome tornara-se uma piada de mau gosto.
Passou a viver um dia de cada vez, exatamente como sua mãe. Sem olhar o passado, porque aprendeu que esse era o único modo de seguir em frente, porque descobriu que, se pensasse, ficaria imobilizada pela dor.
Nos primeiros meses, dormia onde encontrasse abrigo e aceitava ajuda de quem a oferecia. Quando não havia a quem recorrer, aprendeu a furtar. Descobriu, enfim, que tinha herdado traços do povo da sua mãe: a agilidade, a boa visão noturna e a audição aguçada eram os elementos em que confiava para sobreviver. Com o tempo e a prática, tornou-se realmente hábil em entrar em casas vazias e furtar jóias, moedas e pequenos objetos. Nunca fazia mal a ninguém e furtava tão pouco que duvidava que os proprietários dessem por falta de seus bens.
O ceticismo e o espírito prático vindos de Jonas também se intensificaram. Como acreditar em divindades benevolentes depois do que lhe acontecera? Não, tais deuses não passavam de ficção. Elanor estava só e tinha a plena certeza de que ninguém olhava por ela.
Não tinha amigos. Não jogava conversa fora. Suas únicas diversões eram assistir aos jogos de cartas no bar ao lado - sempre só, sempre silente - e ler. Livros estavam entre os objetos que costumava furtar das casas em que entrava.
Elanor viajou o mundo, conheceu cada um dos reinos, aprendeu a sua cultura e chegou a ir até Rathis, o Reino das Trevas, onde fez alguns contatos com o submundo. Hoje Elanor vive em Vectorius, em uma casa pequena que comprou com o saldo dos furtos. Modesta, mas confortável.
Já se passaram 4 anos. Para Elanor, foi outro dia. Para quem a observa, a impressão é de que ela sempre viveu sozinha.


